Alexandre Herchcovitch: saiba tudo o que rolou em sua palestra em Porto Alegre

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Oi meninas, tudo bem?
Esse post é dedicado a palestra do Alexandre Herchcovitch no curso de Moda do Senac RS. Ele palestrou no curso de Moda do Senac Canoas e na de Porto Alegre. Era uma palestra com convite voltada para os estudante do curso de moda, a 1º parte sobre Processo Criativo da marca e na sequência discussão sobre os TCCs (ok eu sou de Produção Multimídia, contudo o que não conseguimos quando argumentamos o quão tal atividade é importante para nós?!).

Apresentação de como organiza sua equipe com seis-pouquíssimos funcionários:
1. Diretor Criativo

2. Consultor Criativo
3. Designer Pret a Porter  – Estética de Licenciamentos – Designer Gráfico
4. Desenvolvimento de Produto – os produtos devem obedecer os padrões de qualidade e se aprofundam em características que identifiquem a marca Herchcovitch.
5. Diretor da Marca – Alexandre, comentou o quanto muitas vezes é engolido pelo dia a dia, as vezes as ideias passam – função de rever o trabalho e questionar
6. Consultor/diretor de arte – olhar de fora da marca

Trouxe 4 exemplos de processo criativo de coleções – o processo é o mesmo

2007 primavera verão – tribo Ndebele, África do Sul

Usam cobertor e acessórios, muito embora não tinham uma iconografia da tribo e nem figurino, restrito a panos instigou para seguir a inspiração.

Resultado da  inspiração da Tribo Ndebele
Resultado da inspiração da Tribo Ndebele

 

A campanha foi baseada em formas retangulares: casaco, macacão, calça. Fechamento com dobras pois não tinha cavas. No desfile são 12 modelos. São 250 itens da coleção, no desfile são 60, 70 itens. desfile são comercializadas com menor quantidade, pois são 12 modelos. As roupas são difíceis de vestir, difíceis de consumir. Outro aspecto importante são os bordados em miçanga, são ornamentais pois só tem a frente, adereço de cabeça, pescoço, macaquinhos composição de alfinete com as miçangas.

Coleção Primavera Verão Masculina, 2007/2008

Inspiração: Death Metal

deathmetal de A. Herchcovitch
deathmetal de A. Herchcovitch

Poucas roupas, usam a imagem para se expressar de forma muito forte, mais desafiador para desenvolver, calça e tênis all star.

Nesse caso as peças comerciais foram para o desfile. Alexandre disse que gosta de desmembrar o look para a pessoa consiga assimilar se pode usar fora das passarelas.

Outono Inverno 2007

Inspiração nos Boias Frias: como eles não tem uniforme, usam o que tem no armário. Variedade em quantidades de roupas, sobreposição intuitiva.

boias frias de A. Herchcovitch
boias frias de A. Herchcovitch

Para se abrigar do frio e do calor e se proteger: se machucam no trabalho de colheita, eles se cobrem com sacos de lixo.
A equipe recriou as roupas com outros tecidos e com algodão para ficar confortável, acabamento com vinil.

Outono Inverno Masculina 2007

Inspiração os esquimós

esquimos de  A. Herchcovitch
esquimos de A. Herchcovitch

Curiosidade: por enxergarem muitos tons de cor branca, 90% branco e nuanças, como n’os em relação com o verde. Usaram  a cartela de cor: marfim, gelo e afins.

Por outro lado, aproveitou-se o aspecto folclórico colorido. Tricos feitos na mão feitos por os artesões. A equipe do Alexandre fez o  padrão geometrizado com as cores cinzas e brancas.

Assunto das Perguntas e Respostas:

Rendeiras do Nordeste  – foi um trabalho em conjunto com a estilista Marta Medeiros baseada nas rendas francesas –  camisolas dos sec xviii e xix. Foram 4 peças para o desfile. Para a linha comercial – peças pequenas

Escolha do tema – se reúne com toda a equipe, conversa com as pessoas que confia. A ideia do tema normalmente não vem dele, nem sempre a ideia dele é do Alexandre.

Coleção –  desafios diário, como fazer uma coleção masculina sem ser chata e diferente do que se tem no mercado. Público masculino é mais conservador.

Coleção – não foi aos lugares, faz pesquisas. Pesquisa em brechós – roupas antigas. Observação de como as roupas eram construídas em outras épocas, anos 60 pra trás, porque são semi industrias – metade feito na maquina, metade feito a mão.

Divisão de leitura estética e leitura estética – na estética nada, passa o que precisa pra chegar o faturamento que a empresa quer. A estética, cor e tema ele não precisa nem apresentar, só o briefing do que precisa ser feito: mix da coleção feminina e coleção masculina. Subdivisão: preço e ocasião. Sabe o quanto vai custar na loja e ter noção dos matérias.

Dinâmica sobre os tecidos importados e de onde vem a caveira – importa somente os tecidos que não encontra em lojas brasileiras. Reprodruz o que imagina pois é interpretação.

Motivo da caveira: camiseta branca com caveira preta, foi a primeira criação que ele fez para vender. Hoje todas as criações tem a caveira e as empresas gostam. É um simbolo da marca.

Desenvolvimento dos desenhos –  toda a equipe desenha e desenha a mão por exigência dele, nada de desenho digital. O coqui é gestual e artístico e desenho técnico. Ele só trabalha com desenho técnico. Explicou a dificuldade com roupas sobre medida pois as pessoas querem ver o croqui e ele não tem, precisa convencer e conversar o que o desenho técnico com o máximo de informações pra passar a modelagem.

Dinâmica dos tecidos, se tem pouca variedade e como é a qualidade -Brasil se aperfeiçoou em malharia e jeans, nunca importa. Lã e seda, linho. É pela variedade. Custo beneficio: aqui no brasil não é mais caro. E os importados com o preço alto do dólar precisa pensar melhor.

Costureiras – profissão que está acabando, Herchcovitch comentou que escuta as pessoas dizendo: “prefiro ser atendente de telemarketing, que costureira”, mas modelista conseguiu atingir um status de estilista. mas a costureira acabou sem ser valorizada. Ele não faz a modelagem hoje, mas ele se especializou nessa área.

Funcionamento das parcerias com marcas, quais são os modelos viáveis para alavancar a marca autoral  – abrir a marca foi uma escolha para elevar o design a produtos mais baratos e sem acesso porque a marca não tem em muitos lugares. Faz 12 anos. 40% do faturamento vem dos licenciamentos –  eles criam e desenvolve, as empresas distribuem.

Chilli Beans, Melissa, Tok&Stok – a ideia é criar e usar a tecnologia.

Há outros caminhos, mas as marcas tem medo da popularização, medo que as pessoas consumem apenas a linha mais barata, contudo ele explicou que todo o publico consome a linha mais barata, Inclusive o pretit-a-portet;

Organização de criação –  as criações de licenciamento não coincide com as coleções. Para a Chilli Beans é no inicio do ano. Ele e mais uma pessoa foram na loja e mais uma pessoa criaram 60 modelos que serão lançados em 2016. Então fazem uma imersão de trabalho muito profunda de 2 ou 3 dias. E durante o resto desse ano ele não faz mais nada, apenas aprovar e é rápido. Recebe o protótipo, foto ou desenho e anota os comentários.

Melissa: 3 ou 4 calçados por coleção, o desenvolvimento é rápido: ideia, esboço. passa para eles e debate por email. Os produtos licenciados não batem com os de coleção mas precisa de organização, pois há imprevistos, por exemplo a construção de uniformes para uma empresa feito há 15 dias. Assim, Alexandre escolhe uma pessoa da equipe para encabeçar o projeto, passa o briefing e exprime tudo o que tem que ser feito no projeto.

Defende que só trabalha com 10 meses de antecedência e 3 coleções ao mesmo tempo. Hoje! Hoje está criando a coleção de inverno de 2016, desfilada em nov de 2015. Está em processo de criação e desenvolvimento de matéria-prima. A campanha que foi desfilada há 15 dias de verão 2015/2016 está em produção, showroom para as marcas do Brasil.
E as vezes é necessário resolver uma dúvida da coleção passada. Agora está sendo vendida a coleção de inverno 2015 e que foi desfilada há um ano.

Estampa – desenvolve a estampa, a não ser que seja uma peça classica com uma lista.

Envolvimento – com tudo: marca e produto. Ele escolhe quem vai para a passarela no dia: cabelo, stylist. Tudo passa por ele.

Roupa sob-medida – ele faz figurino para artista, está fazendo a turnê do Lulu Santos. Envolve a modelista e as medidas, porque não envolve só o estilo, o corpo é muito diverso apesar das mesmas medidas, sai caro pois envolve muitos departamentos.

Roupa Plus Size – a gordinha que usa Melissa por exemplo, planos para esse público – Devemos saber quem é o nosso público, ele escolheu não fazer plus size, bem como há pessoas muito pequenas de estatura e peso.

 34 a 52 – 10 números para agregar dentro de uma loja e colocar dentro do plano de vendas, 20 itens e precisaria de uma produção violenta. Fez uma tentativa no ano passado, mas o departamento comercial não viu vantagens pois a Então  venda geral acontece entre 40 e 42 – não é apenas aumentar a grade.

Precisa de especialistas, precisa ser estudado, hoje não existe esse estudo de volume e formas. Não é só aumentar 2 cm 2cm no corel ou cad que vai funcionar.A população brasileira ainda nao tem esse estudo, por outro lado inteligente é quem olhar diferente e pensar que a roupa plus size não é chata, terá um lugar. Ainda mais que a população brasileira está crescendo em tamanho.

Conselho – antes que abrir a marca própria trabalhem em marcas própria para analisar como funciona o mercado. Já observou pessoas vendendo imóveis, pois as vezes falta pesquisa: de concorrência, de referências, etc

Se já sabia que queria trabalhar com moda – como a mãe dele era costureira, ele aprendeu com ela, mas não era moda especificamente, eram roupas, foi um privilegio. Queria fazer o que ela fazia., sempre soube que era com roupa. Saber costurar, independência de saber modelar e costurar.
Momento Marcante – não é só desfilar, é seduzir a pessoa a consumir teu produto e não do concorrente. Concorre com tecnologia, com viagens, carro, eletrodomésticos. A pessoa vive com a roupa que ela tem, mas não sem o último celular.

Deficiente Visual, desfile inclusivo, interesse em adaptar. Pode usar qualquer roupa, pois como não nasceu deficiente visual , essa moça tem a memória de cartelas de cores. ele não gosta de tratar como diferença.  Salvo as exceções de deficientes que ficam o tempo todo sentado que precisa de calças especias com as costuras e materiais.

Se preocupar com a funcionalidade da roupa e não estilo, independente do estilo, pode ter estilo próprio. Passarela, situações que precisam se resolver – facilidade de tradutores com sinais bem como essa aluna estava com uma tradutora.

E aí meninas, gostaram? Me conte nos comentários. Há rumores que o Alexandre H. volta em agosto uhhul

Ana ClaCla

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Meu nome é Alessandra Mess, sou formada em Design com Habilitação Visual e Ênfase em Marketing pela ESPM e idealizadora da página www.workingmachine.nu. Sou apaixonada por moda, beleza, comportamento, gastronomia, internet, café, fotografia, gatos, hip hop e cerveja artesanal. O Working Machine é um cantinho na internet com tudo aquilo que movimenta e inspira meu trabalho!